Entidade alerta que taxação de 55% pode desestimular a produção pecuária no Brasil, reduzir a oferta futura de carne e encarecer a proteína para o consumidor chinês.

A Associação Nacional de Defesa dos Agricultores, Pecuaristas e Produtores da Terra — ANDATERRA encaminhou ofício à Embaixada da República Popular da China no Brasil solicitando a suspensão da tarifa adicional de 55% sobre a carne bovina brasileira exportada acima da cota anual atualmente estabelecida em aproximadamente 1,1 milhão de toneladas.
Alternativamente, a entidade pediu a ampliação substancial da cota anual, de modo a compatibilizá-la com a realidade histórica do comércio bilateral entre Brasil e China.
O documento é assinado por Jeferson da Rocha, Presidente da Comissão de Agronegócio da ANDATERRA, e destaca a importância estratégica da parceria comercial entre os dois países.
Segundo a entidade, a China é um dos mais importantes destinos da produção agropecuária brasileira, especialmente da carne bovina, enquanto o Brasil se consolidou como fornecedor confiável, competitivo e regular de proteína animal de alta qualidade ao mercado chinês.
Tarifa pode afetar produtor brasileiro e consumidor chinês
No ofício, a ANDATERRA manifesta preocupação com os efeitos econômicos, produtivos e comerciais da tarifa adicional.
A entidade afirma que uma taxação de 55% representa medida drástica, com potencial de desestimular a produção pecuária no Brasil. A pecuária de corte exige planejamento de médio e longo prazo, envolvendo investimentos em cria, recria, engorda, genética, nutrição, sanidade, pastagens, confinamento e infraestrutura.
Caso o produtor brasileiro perceba retração estrutural da demanda externa, especialmente de seu principal mercado comprador, a tendência poderá ser a redução dos investimentos na atividade, a diminuição da retenção de matrizes e a queda da produção futura.
Para a ANDATERRA, esse cenário pode gerar, no médio prazo, menor oferta internacional de carne bovina, pressão sobre os preços globais e possível encarecimento da proteína para o próprio consumidor chinês.
Segurança alimentar e estabilidade comercial
A ANDATERRA defende que a segurança alimentar, especialmente em um país com a dimensão populacional e econômica da China, depende de cadeias produtivas estáveis, previsíveis e integradas.
“O Brasil deseja continuar sendo parceiro leal da China no fornecimento de carne bovina, contribuindo para a manutenção de preços acessíveis, abastecimento regular e qualidade reconhecida da proteína consumida pelo povo chinês”, destaca a entidade no documento.
A associação também ressalta que a suspensão da tarifa adicional ou a ampliação da cota não deve ser vista apenas como medida favorável ao produtor brasileiro, mas também como instrumento de estabilidade para o mercado consumidor chinês.
Relação estratégica entre Brasil e China
No documento, a ANDATERRA reafirma respeito à soberania da República Popular da China e reconhece a legitimidade de suas políticas internas de proteção e organização de mercado.
Contudo, a entidade sustenta que, no caso da carne bovina brasileira, uma solução negociada, gradual e cooperativa atenderá melhor aos interesses dos dois países.
“Brasil e China são parceiros complementares. O Brasil possui terra, água, tecnologia, pecuária eficiente e capacidade produtiva. A China possui mercado consumidor robusto, demanda crescente por proteína de qualidade e papel central no comércio internacional. Essa relação deve ser preservada com equilíbrio, previsibilidade e visão estratégica de longo prazo”, afirma a ANDATERRA.
Pedido da ANDATERRA
A entidade solicitou que a Embaixada da China no Brasil encaminhe a manifestação às autoridades competentes da República Popular da China, com dois pedidos principais:
- Suspensão da tarifa adicional de 55% incidente sobre a carne bovina brasileira exportada acima da cota; ou
- Ampliação substancial da cota anual, atualmente fixada em aproximadamente 1,1 milhão de toneladas.
A ANDATERRA também se colocou à disposição para colaborar com informações técnicas, dados setoriais e diálogo institucional que possam contribuir para uma solução equilibrada, capaz de proteger a estabilidade do mercado, a renda dos produtores brasileiros e o acesso do povo chinês a uma proteína saudável, segura e economicamente acessível.
Assessoria de Comunicação — ANDATERRA
